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7 min de leitura

Como fazer uma planilha orçamentária de obra

O que é a planilha orçamentária, como organizá-la em etapas e itens, como levantar os quantitativos com memória de cálculo e os erros que mais encarecem um orçamento.

O que é a planilha orçamentária

A planilha orçamentária é a lista de todos os serviços de uma obra, cada um com a sua unidade, a quantidade a executar e o preço. É a base do orçamento: o preço de cada serviço multiplica essa quantidade. Em uma licitação, é também o documento que permite comparar propostas de empresas diferentes, porque todas orçam a mesma lista.

Uma boa planilha responde a três perguntas para cada serviço: o quê (descrição precisa), quanto (quantidade) e em que unidade (m², m³, kg, un…). Se alguma das três fica vaga, o preço também fica.

Organizar em etapas e itens

Agrupe os serviços em etapas, na ordem em que a obra acontece. Uma casa térrea típica:

  • 1 Serviços preliminares e canteiro de obras
  • 2 Movimento de terra
  • 3 Fundações
  • 4 Estrutura de concreto armado
  • 5 Alvenaria e vedações
  • 6 Instalações hidrossanitárias e elétricas
  • 7 Cobertura
  • 8 Revestimentos, pisos e pintura

Dentro de cada etapa, cada item tem um código hierárquico (4.2 é o segundo item da etapa 4), uma descrição, a unidade e a quantidade. Se o preço vem do SINAPI, anote também o código da composição. Os códigos permitem falar de um serviço sem ambiguidade, por telefone ou em uma reunião de obra.

Escrever descrições que dá para orçar

Compare “Parede” com “Alvenaria de vedação de blocos cerâmicos de 9 × 19 × 19 cm, assentados com argamassa de cimento, cal e areia, incluindo vergas e contravergas”. A segunda diz o material, a dimensão e o que está incluído. Quem orça sabe exatamente o que precisa colocar no preço, e quem compara propostas sabe que está comparando o mesmo serviço.

  • Material e dimensões: fck do concreto (25 MPa), dimensão do bloco, tipo e diâmetro do tubo.
  • Onde: sapatas, pilares e vigas, lajes. O mesmo concreto tem preços diferentes conforme a forma e o acesso.
  • O que inclui: forma, armadura, transporte, lançamento, acabamento.

Levantar quantitativos: a memória de cálculo

A quantidade de um item não deve aparecer “do nada”. Registre-a em uma memória de cálculo: uma linha por elemento, com número de vezes, comprimento, largura e altura. A quantidade é a soma dos parciais. Os vãos (janelas, portas) entram com número negativo e são descontados.

  • Fachada principal: 1 × 12,50 × 3,00 = 37,50 m²
  • Fachada posterior: 1 × 12,50 × 3,00 = 37,50 m²
  • Fachadas laterais: 2 × 10,00 × 3,00 = 60,00 m²
  • Platibanda: 1 × 45,00 × 0,80 = 36,00 m²
  • Vãos de janela: −6 × 1,20 × 1,20 = −8,64 m²
  • Vãos de porta: −2 × 0,90 × 2,10 = −3,78 m²
  • Total: 158,58 m²

Assim, qualquer pessoa consegue conferir a quantidade e corrigi-la quando o projeto muda. Use sempre o mesmo critério de medição (o que se desconta, como se medem cantos e sobreposições) e diga qual é. Se o preço vem do SINAPI, use o critério do caderno técnico da composição.

Os erros que mais custam

  • Unidades misturadas: o mesmo serviço medido em m² em uma etapa e em m³ em outra.
  • Itens em duplicidade: a mesma parede contada na alvenaria e no revestimento.
  • Quantidades sem memória de cálculo: um número que ninguém sabe de onde veio não dá para revisar.
  • Descrições genéricas: “concreto” sem fck nem local gera preços que não se comparam.
  • Totais digitados à mão: um subtotal escrito por cima de uma fórmula fica errado na primeira alteração.

No AMES

O AMES organiza a planilha em árvore (etapas, subetapas e itens), com várias planilhas por orçamento. Cada item pode ter a sua memória de cálculo, e a quantidade passa a vir dela. Se você já tem a planilha em Excel, importe-a como está: o AMES reconhece o cabeçalho e as colunas.