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Como fazer um mapa de quantidades
O que é um mapa de quantidades de obra, como o organizar em capítulos e artigos, como medir e os erros que mais encarecem um orçamento.
O que é um mapa de quantidades
O mapa de quantidades é a lista de todos os trabalhos de uma obra, cada um com a sua unidade e a quantidade a executar. É a base do orçamento: o preço de cada trabalho multiplica por esta quantidade. Num concurso, é também o documento que permite comparar propostas de empreiteiros diferentes, porque todos orçamentam a mesma lista.
Um bom mapa responde a três perguntas para cada trabalho: o quê (descrição precisa), quanto (quantidade) e em que unidade (m², m³, kg, un…). Se alguma das três é vaga, o preço também vai ser.
Organizar em capítulos e artigos
Agrupe os trabalhos em capítulos pela ordem em que a obra acontece. Uma moradia típica:
- 01 Estaleiro e trabalhos preparatórios
- 02 Movimento de terras
- 03 Betão armado
- 04 Alvenarias
- 05 Revestimentos e acabamentos
- 06 Instalações (águas, esgotos, eletricidade)
- 07 Cobertura
Dentro de cada capítulo, cada artigo tem um código hierárquico (03.02 é o segundo artigo do capítulo 03), uma descrição, a unidade e a quantidade. Os códigos permitem falar de um trabalho sem ambiguidade, ao telefone ou numa reunião de obra.
Escrever descrições que se conseguem orçamentar
Compare “Parede” com “Parede exterior em bloco de cimento de 15 cm, assente com argamassa de cimento e areia, incluindo cintas e vergas”. A segunda diz o material, a espessura e o que está incluído. Quem orçamenta sabe exatamente o que tem de pôr no preço, e quem compara propostas sabe que está a comparar o mesmo trabalho.
- Material e dimensões: classe do betão (C25/30), espessura do bloco, tipo de tubagem.
- Onde: sapatas, pilares e vigas, lajes — o mesmo betão tem preços diferentes conforme a cofragem e o acesso.
- O que inclui: cofragem, armaduras, transporte a vazadouro, acabamento.
Medir: a folha de medições
A quantidade de um artigo não deve aparecer “do nada”. Registe-a numa folha de medições: uma linha por elemento, com número de vezes, comprimento, largura e altura. A quantidade é a soma dos parciais. Os vãos (janelas, portas) entram com número negativo e descontam.
- Fachada principal: 1 × 12,50 × 3,00 = 37,50 m²
- Fachada posterior: 1 × 12,50 × 3,00 = 37,50 m²
- Fachadas laterais: 2 × 10,00 × 3,00 = 60,00 m²
- Platibanda: 1 × 45,00 × 0,80 = 36,00 m²
- Vãos de janela: −6 × 1,20 × 1,20 = −8,64 m²
- Vãos de porta: −2 × 0,90 × 2,10 = −3,78 m²
- Total: 158,58 m²
Assim, qualquer pessoa consegue verificar a quantidade e corrigi-la quando o projeto muda. Use sempre o mesmo critério de medição (o que se desconta, como se medem cantos e sobreposições) e diga qual é. Em Portugal, as regras de medição do LNEC são uma referência comum.
Os erros que mais custam
- Unidades misturadas: o mesmo trabalho medido em m² num capítulo e em m³ noutro.
- Artigos em duplicado: a mesma parede contada nas alvenarias e nos revestimentos.
- Quantidades sem medição: um número que ninguém sabe de onde veio não se consegue rever.
- Descrições genéricas: “betão” sem classe nem localização dá preços que não se comparam.
- Totais à mão: um subtotal escrito por cima de uma fórmula fica errado à primeira alteração.
No AMES
O AMES organiza o mapa em árvore (capítulos, subcapítulos e artigos), com várias planilhas por orçamento. Cada artigo pode ter a sua folha de medições, e a quantidade passa a vir dela. Se já tem o mapa em Excel, importa-o tal como está: o AMES reconhece o cabeçalho e as colunas.